Hoje ouvi duas notícias. Uma de manhã, no rádio. A outra a noite, na TV.
Na primeira, um cara foi roubar um carro em São Paulo e matou o motorista que reagiu. Vai responder em liberdade, pois é réu primário e tem endereço fixo. E... não foi considerado homicídio, e sim latrocínio. É que como havia o carro no meio, trata-se de furto de patrimônio, seguido de morte. Ou seja, o cara será julgado primeiro pelo roubo do carro e, quem sabe, pela morte do outro. E não pode ser enviado a júri popular. Porque não é homicídio. Entendeu?
A segunda notícia foi sobre o caso do Cesare Battisti, o italiano que foi preso no Brasil, mas que fez as cagadas dele lá na Itália. Mas a justiça brasileira se nega a entregá-lo aos italianos e parece que vão soltá-lo. Então, o governo italiano convocou a volta imediata do embaixador da Itália no Brasil para sua terra natal. Para tentar entender porque cazzo isso ta acontecendo, mas também para dar uma cacetada na diplomacia brasileira.
Agora compare a primeira notícia com a segunda. Não parece o mesmo que querermos dar um sacode no filho do vizinho que põe o dedo no nariz, enquanto o nosso come cacota?
10 de jun. de 2011
27 de mai. de 2011
E-mail-macho
Se existe algo que nunca devemos fazer é enviar um e-mail quando estamos nervosos. Aliás, quase nada de importante deve ser feito em momentos de emoção extrema. E e-mail..., aquele que fica registrado para a eternidade digital, nem pensar.
Mas existe um truque, para que a gente não decepcione nosso lado impetuoso. A primeira coisa a ter em mente é que, sim, você quer moer na pancada a criatura destinatária. Isso já é um bom começo para não se enganar e achar que está aliviando no argumento.
Isto devidamente incorporado, é hora de usar a técnica milenar a qual vou compartilhar gratuitamente agora. Não use o botão “Responder” e muito menos o “Responder a todos” no e-mail. Use o “Encaminhar”. Assim, o campo “Destinatário” ficará vazio e você não correrá o risco de apertar “sem querer” o botão “Enviar”. Então... você solta o verbo sem se preocupar nem com as vírgulas. Imagine que as palavras são violentos golpes em sequência no corpo de seu adversário. Mas é pra escrever mesmo, sem restrições.
Acabou? Não leia. Coloque você mesmo como destinatário e envie. Não leia ainda. Vá tomar um café, bater papo com alguém ou simplesmente dar uma volta. Pelo menos vinte minutos depois, olhe para sua caixa de entrada. Você vai ver o remetente: você. Lembre-se que é isso que a outra pessoa verá. Então abra e leia.
Ao acabar de ler, se ainda quiser enviar a sua poesia contemporânea, vá em frente. Não tenho argumentos para dissuadi-lo. Você é realmente sobrinho do Charles Bronson. Mas, na maioria das vezes, você irá recuar. Talvez até se assuste com sua literatura.
É provável que quatro dos cinco parágrafos sejam sumariamente deletados e que, no que ficou, exista alguma frase parecida com “...e como sabemos, todos queremos o melhor para o projeto, então sugiro...”.
Vai por mim. É mais civilizado, melhorará seus relacionamentos e não afetará em nada sua portentosa virilidade.
Mas existe um truque, para que a gente não decepcione nosso lado impetuoso. A primeira coisa a ter em mente é que, sim, você quer moer na pancada a criatura destinatária. Isso já é um bom começo para não se enganar e achar que está aliviando no argumento.
Isto devidamente incorporado, é hora de usar a técnica milenar a qual vou compartilhar gratuitamente agora. Não use o botão “Responder” e muito menos o “Responder a todos” no e-mail. Use o “Encaminhar”. Assim, o campo “Destinatário” ficará vazio e você não correrá o risco de apertar “sem querer” o botão “Enviar”. Então... você solta o verbo sem se preocupar nem com as vírgulas. Imagine que as palavras são violentos golpes em sequência no corpo de seu adversário. Mas é pra escrever mesmo, sem restrições.
Acabou? Não leia. Coloque você mesmo como destinatário e envie. Não leia ainda. Vá tomar um café, bater papo com alguém ou simplesmente dar uma volta. Pelo menos vinte minutos depois, olhe para sua caixa de entrada. Você vai ver o remetente: você. Lembre-se que é isso que a outra pessoa verá. Então abra e leia.
Ao acabar de ler, se ainda quiser enviar a sua poesia contemporânea, vá em frente. Não tenho argumentos para dissuadi-lo. Você é realmente sobrinho do Charles Bronson. Mas, na maioria das vezes, você irá recuar. Talvez até se assuste com sua literatura.
É provável que quatro dos cinco parágrafos sejam sumariamente deletados e que, no que ficou, exista alguma frase parecida com “...e como sabemos, todos queremos o melhor para o projeto, então sugiro...”.
Vai por mim. É mais civilizado, melhorará seus relacionamentos e não afetará em nada sua portentosa virilidade.
20 de mai. de 2011
Algo a declarar?
Agora existe um ritual diferente de manobristas ao verificarem nosso carro antes de assumirem o controle do bólido. Eles dão a volta completa pelo veículo e em dados momentos levantam o braço para o manobra-boss, que fica no púpito supervisionando a parada toda.
E não dá pra entender muito bem o procedimento. Quando eles levantam a mão, ta tudo bem? Ou foi porque acharam um ovinho na lataria, um risco, um amassado, uma cagada de pomba?
De qualquer forma, quem tem que ser cada vez mais revisor somos nós, e não eles. “Doutor, tem algo no interior do veículo que o senhor queira declarar?”. Não, só meu iPod, meus óculos, o documento do carro, meu canivete suíço, seis CDs na disqueteira, meu GPS, o cabo de força do GPS e os dadinhos pendurados no retrovisor.
E o mais legal é pegar aquela estrada, acelerar tranqüilo, curtir a paisagem e ter um pneu furado. Você abre o porta-malas e vê o macaco ali, brilhante, incólume. Mas... cadê a chave de rodas?
E não dá pra entender muito bem o procedimento. Quando eles levantam a mão, ta tudo bem? Ou foi porque acharam um ovinho na lataria, um risco, um amassado, uma cagada de pomba?
De qualquer forma, quem tem que ser cada vez mais revisor somos nós, e não eles. “Doutor, tem algo no interior do veículo que o senhor queira declarar?”. Não, só meu iPod, meus óculos, o documento do carro, meu canivete suíço, seis CDs na disqueteira, meu GPS, o cabo de força do GPS e os dadinhos pendurados no retrovisor.
E o mais legal é pegar aquela estrada, acelerar tranqüilo, curtir a paisagem e ter um pneu furado. Você abre o porta-malas e vê o macaco ali, brilhante, incólume. Mas... cadê a chave de rodas?
13 de mai. de 2011
Multitask
Eu sei, eu sei. Todos nós somos obrigados hoje em dia a fazer um pouco de tudo ao mesmo tempo. Mas...
Já viu um cara andando em círculos e falando sozinho, mexendo as mãos e parando de vez em quando como quem espera algum sinal para continuar sua caminhada? Você só não vai ao encontro do sujeito oferecendo ajuda se perceber a tempo que ele está com um fone bluetooth no ouvido. Quando está sozinho, vá lá, mas deixar um garçom esperando, com o bloquinho na mão, enquanto você consulta a Bolsa de Tóquio, é sacanagem.
E quando você vai conversar com alguém em seu lugar de trabalho e a pessoa olha insistentemente para o teclado e a tela a sua frente e você não sabe se continua falando ou se joga o grampeador na fuça dele? E o pior é que, se não nos policiarmos, nós fazemos exatamente isso. Não, não pode ser normal.
É o mundo onde o tempo é o bem mais valioso e, portanto, o utilizamos compartilhado. Não tem saída. Falar ao telefone enquanto se verifica algo no computador, ou ver TV enquanto se diverte no iPad é perfeitamente aceitável. E até indicado, para que não fiquemos tão defasados em relação a espetacular capacidade multi-tarefa da geração Y.
Mas quando envolve pessoas, ali, ao vivo... tome cuidado. Eu vou tomar.
Já viu um cara andando em círculos e falando sozinho, mexendo as mãos e parando de vez em quando como quem espera algum sinal para continuar sua caminhada? Você só não vai ao encontro do sujeito oferecendo ajuda se perceber a tempo que ele está com um fone bluetooth no ouvido. Quando está sozinho, vá lá, mas deixar um garçom esperando, com o bloquinho na mão, enquanto você consulta a Bolsa de Tóquio, é sacanagem.
E quando você vai conversar com alguém em seu lugar de trabalho e a pessoa olha insistentemente para o teclado e a tela a sua frente e você não sabe se continua falando ou se joga o grampeador na fuça dele? E o pior é que, se não nos policiarmos, nós fazemos exatamente isso. Não, não pode ser normal.
É o mundo onde o tempo é o bem mais valioso e, portanto, o utilizamos compartilhado. Não tem saída. Falar ao telefone enquanto se verifica algo no computador, ou ver TV enquanto se diverte no iPad é perfeitamente aceitável. E até indicado, para que não fiquemos tão defasados em relação a espetacular capacidade multi-tarefa da geração Y.
Mas quando envolve pessoas, ali, ao vivo... tome cuidado. Eu vou tomar.
7 de mai. de 2011
Eu tenho. Vocês não têm.
Eu tenho, vocês não têm.
Até muito pouco tempo no Brasil vivíamos a época do “eu tenho, vocês não têm”. Isso acontecia quando ouvíamos frequentemente que o Brasil era o país do futuro. E era simples: poucos tinham muito, alguns tinham pouco, muitos não tinham nada. Mas nada quer dizer “nada mesmo”, neste caso.
O problema é que o futuro chegou. E com ele, uma crise de identidade veio a galope. Dizer em uma roda de amigos que você viu algo no Orkut é o mesmo que dizer que você freqüenta baile funk. É o medo que temos de nos aproximarmos e de tentar, pelo menos, entender as pessoas que vêm das classes outrora menos favorecidas. Antes era fácil se destacar por um modelo de celular ou de carro. Hoje, até entre nós, a briga ficou mais acirrada. “Você ainda não tem o iPad 2?”.
E não adianta correr. A turma vai invadir o Facebook. Eles são maioria. Não nós.
E isso é bom. Se não tivéssemos novas pessoas consumindo, todos nós estaríamos sem emprego. O mercado é complexo, mas tem nuances de simplicidade. A economia roda com injeção de capital ou com oferta gerada por demanda. E sem demanda, babau.
Eu sei que é duro soltar as amarras. Tantos anos ouvindo que somos gente fina. Mas não pensem que eles gostam de Calypso e rapadura. E só. Eles não gostam “também” de picanha argentina e de vinho francês porque ainda não provaram. Ainda.
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Até muito pouco tempo no Brasil vivíamos a época do “eu tenho, vocês não têm”. Isso acontecia quando ouvíamos frequentemente que o Brasil era o país do futuro. E era simples: poucos tinham muito, alguns tinham pouco, muitos não tinham nada. Mas nada quer dizer “nada mesmo”, neste caso.
O problema é que o futuro chegou. E com ele, uma crise de identidade veio a galope. Dizer em uma roda de amigos que você viu algo no Orkut é o mesmo que dizer que você freqüenta baile funk. É o medo que temos de nos aproximarmos e de tentar, pelo menos, entender as pessoas que vêm das classes outrora menos favorecidas. Antes era fácil se destacar por um modelo de celular ou de carro. Hoje, até entre nós, a briga ficou mais acirrada. “Você ainda não tem o iPad 2?”.
E não adianta correr. A turma vai invadir o Facebook. Eles são maioria. Não nós.
E isso é bom. Se não tivéssemos novas pessoas consumindo, todos nós estaríamos sem emprego. O mercado é complexo, mas tem nuances de simplicidade. A economia roda com injeção de capital ou com oferta gerada por demanda. E sem demanda, babau.
Eu sei que é duro soltar as amarras. Tantos anos ouvindo que somos gente fina. Mas não pensem que eles gostam de Calypso e rapadura. E só. Eles não gostam “também” de picanha argentina e de vinho francês porque ainda não provaram. Ainda.
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6 de out. de 2010
Pensamentos e Frases (Episódio 8)
São Paulo tem uma passarela chamada Getulio Vargas em uma Avenida chamada 9 de Julho. Vai entender.
“Ontem eu ia jantar com uma boneca inflável, mas ela acabou furando.” (by Douglas Bocalão)
Não se sabe o que vem pela frente. Tomara que seja realmente pela frente.
Quem morre afogado em alto mar? Só quem é exímio nadador. Quem não sabe nadar, nem entra no mar.
“Ontem eu ia jantar com uma boneca inflável, mas ela acabou furando.” (by Douglas Bocalão)
Não se sabe o que vem pela frente. Tomara que seja realmente pela frente.
Quem morre afogado em alto mar? Só quem é exímio nadador. Quem não sabe nadar, nem entra no mar.
20 de set. de 2010
Mundo Corporativo (Episódio 4)
Tem mais gente pensando que fazendo.
Do chefe para o funcionário: "Claro que você pode discordar! Afinal, não sou dono da verdade. Sou apenas sócio majoritário".
As pessoas acham mais rapidamente uma desculpa do que uma solução. Vai entender.
A estrada corporativa não tem retorno e nem acostamento.
Tudo o que vc for fazer na web ou em mobile, que não seja extremamente simples e intuitivo, já nasce morto.
Do chefe para o funcionário: "Claro que você pode discordar! Afinal, não sou dono da verdade. Sou apenas sócio majoritário".
As pessoas acham mais rapidamente uma desculpa do que uma solução. Vai entender.
A estrada corporativa não tem retorno e nem acostamento.
Tudo o que vc for fazer na web ou em mobile, que não seja extremamente simples e intuitivo, já nasce morto.
10 de set. de 2010
Pensamentos e Frases (Episódio 7)
Alguns merecem um tijolo no céu. Outros, na testa.
É... de onde menos se espera... é que não sai nada mesmo.
Cuidado com o que você pede. Pode ser atendido.
Algumas pessoas carecem de GPS de si mesmas. Não vão pra frente simplesmente porque não sabem pra onde é a frente.
É... de onde menos se espera... é que não sai nada mesmo.
Cuidado com o que você pede. Pode ser atendido.
Algumas pessoas carecem de GPS de si mesmas. Não vão pra frente simplesmente porque não sabem pra onde é a frente.
3 de set. de 2010
Pensamentos e Frases (Episódio 6)
"Não me diga o que eu não posso fazer!". - John Locke (LOST)
Alguém te pergunta: "O que você tem contra mim, hein?" e você responde: "Você tá perguntando em termos de antídoto?"
Em Lost, houve deslocamento do eixo do tempo. E, se deslocou o eixo do tempo, nem cambagem resolve! (by Mau Nader)
"Se eu tivesse medo de cara feia, eu não me olhava no espelho". (by Darwin Godoy)
“Horóscopo de jornal é tipo médico de pronto-socorro. O diagnóstico é sempre stress ou virose.” (by Eduardo Tracanella)
Alguém te pergunta: "O que você tem contra mim, hein?" e você responde: "Você tá perguntando em termos de antídoto?"
Em Lost, houve deslocamento do eixo do tempo. E, se deslocou o eixo do tempo, nem cambagem resolve! (by Mau Nader)
"Se eu tivesse medo de cara feia, eu não me olhava no espelho". (by Darwin Godoy)
“Horóscopo de jornal é tipo médico de pronto-socorro. O diagnóstico é sempre stress ou virose.” (by Eduardo Tracanella)
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